cinema

Uou! Esses caras sabem mesmo como queimar livros!

E quem fazia isso era a Inquisição. Mas “A Liga Extraordinária” cumpre o papel direitinho.


O quadrinho homônimo de Alan Moore era uma delícia. Meia dúzia de personagens clássicos da literatura unidos para salvar a Inglaterra de um mal terrível. Mas quem conhece Moore sabe da sopa de referências que o autor costuma fazer, o que dá brilho ao seu trabalho. “A Liga Extraordinária” virou filme – sabe-se lá porque tudo, de videogames a brinquedos, tem que virar filme nesses tempos. No caso desse "A Liga Extraordinária" jogaram o trabalho de Moore na lixeira.


Como quase tudo que se produz no cinema “arrasa-quarteirão”, a montagem é frenética e a fotografia um breu só. Não dá para entender quase nada do que está acontecendo. E nem precisa. Tem tanto clichê que a impressão é de qualquer coisa requentada. E uns erros de continuidade medonhos.


No final das contas, a seqüência que define o filme é o tiroteio na biblioteca de Dorian Gray. Voam pedaços de livros por todo lado, enquanto os personagens saracoteiam por aqui e acolá. É uma metáfora tão perfeita que é o caso de se imaginar se não está ali de propósito. Porque o filme destrói a literatura, isso sim.

Publicado em 30 de setembro de 2003 às 11:18 por great

Comentários

    • e no caso da liga extraordinária vol. 2 (que finalmente saiu nas gringa), o proprio alan moore jogou seus personagens na privada, no ultimo capítulo... acho que ele terminou meio nas coxas, só pra encerrar o contrato c/ a DC.
    • por theo
    • 30.Set.2003 às 17:35 - Permalink - Reportar
    theo
    • em compensação, ao menos em dois casos o cinema melhorou livros: laranja mecânica e no coração das trevas/apocalipse now (embora seja uma adaptação)
    • por bala
    • 30.Set.2003 às 17:41 - Permalink - Reportar
    bala
    • A "sopa de referências" do alan moore é um pé no saco, isso sim. Você esperava algo mais que uma sessão da tarde meia boca? Ah, que ingenuidade.
    • por O Crítico
    • 30.Set.2003 às 17:44 - Permalink - Reportar
    O Crítico
    • Kubrick superou Burgess e Coppola superou Konrad? Ah, não dá pra colocar a discussão nesse nível. Que visão limitada do cinema, mas principalmente da literatura...
    • por O Crítico
    • 30.Set.2003 às 17:52 - Permalink - Reportar
    O Crítico
    • Conrad, com c, ok?

      E pé no saco? Desenvolve.
    • por great.
    • 30.Set.2003 às 17:56 - Permalink - Reportar
    great.
    • Kubrick superou e muito Burgess.

      Quando li o livro, antes de ver o filme, ficava imaginando como alguém poderia filmar aquilo sem apelar para cenas escatológicas e "ultra-violentas". Pois ele conseguiu fazer cenas terríveis de forma quase poética, como so um gênio seria capaz.

      Quanto ao Coppola em relação ao Conrad (com "C" por favor) a idéia de transportar o cenário original para o Vietnã por si só já explica porque o filme consegue ser um pouco melhor que o livro. Quando li pela primeira vez Coração nas Trevas achei meio enfadonho mas hoje o considero um dos melhores livros já escritos. Mas mesmo assim Apocalipse Now consegue ser ainda melhor ao adicionar um componente a mais para explicar o desequilíbrio da mente humana: a guerra. Principalmente na versão original e não na nova que ficou mais politizada.
    • por bala
    • 30.Set.2003 às 18:07 - Permalink - Reportar
    bala
    • a propósito, no caso do filme-bomba em questão, nem o proprio alan moore reconhece o roteiro como adaptação de uma obra sua. logo, o comentário do critico nao tem fundamento algum. ademais, eu considero o burgess um tremendo charlatão, enquanto a maioria dos gibis do moore é coisa de gênio
    • por theo
    • 30.Set.2003 às 18:13 - Permalink - Reportar
    theo
  1. theo
    • Desculpe por discordar de vocês. Konrad é um monstro da literatura do século XX, Burgess é um dos representantes da melhor literatura inglesa contemporânea, enquanto que Alan Moore é uma bobagem pra adolescentes preguiçosos viciados em MTV. Acho as obras do Coppola e do Kubrick essenciais, mas a comparação do Bala é besta mesmo, porque são coisas diferentes.
    • por O Crítico
    • 30.Set.2003 às 18:36 - Permalink - Reportar
    O Crítico
  2. theo
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