E quem fazia isso era a Inquisição. Mas “A Liga Extraordinária” cumpre o papel direitinho.
O quadrinho homônimo de Alan Moore era uma delícia. Meia dúzia de personagens clássicos da literatura unidos para salvar a Inglaterra de um mal terrível. Mas quem conhece Moore sabe da sopa de referências que o autor costuma fazer, o que dá brilho ao seu trabalho. “A Liga Extraordinária” virou filme – sabe-se lá porque tudo, de videogames a brinquedos, tem que virar filme nesses tempos. No caso desse "A Liga Extraordinária" jogaram o trabalho de Moore na lixeira.
Como quase tudo que se produz no cinema “arrasa-quarteirão”, a montagem é frenética e a fotografia um breu só. Não dá para entender quase nada do que está acontecendo. E nem precisa. Tem tanto clichê que a impressão é de qualquer coisa requentada. E uns erros de continuidade medonhos.
No final das contas, a seqüência que define o filme é o tiroteio na biblioteca de Dorian Gray. Voam pedaços de livros por todo lado, enquanto os personagens saracoteiam por aqui e acolá. É uma metáfora tão perfeita que é o caso de se imaginar se não está ali de propósito. Porque o filme destrói a literatura, isso sim.
Publicado em 30 de setembro de 2003 às 11:18 por great