Minha casa sempre teve música. Meu pai, é um aficionado por tangos e boleros. Idolatra o Altemar Dutra mais do que qualquer coisa e adora contar histórias do tempo em que trabalhava no Bar Líder, em Londrina. Lá ele viu o Nelson Gonçalves, o Cauby Peixoto e outras figuras da boêmia londrinense daqueles tempos. Meu pai amava cinema. No tempo em que Londrina tinha trocentas salas, ele conta que saia de uma sessão e ia para outra, direto. Assistia cinco filmes por dia e colecionava revistas com as estrelas de Hollywood. Uma figura, o Professor Jáder.
Por conta disso, crescemos ouvindo falar em John Wayne, em Rita Hayworth, Kim Novak – essa era a sua gama - e tantos outros artistas que agora não vou lembrar. Um figura em especial se tornou o meu xodó: Fred Astaire.
Acho que fui me interessar por Fred Astaire para impressionar meu pai. Acho que, na verdade, o meu pai sempre quis dançar como o magrelo elegante. Fui conhecendo o dançarino pouco a pouco. Dia desses, assistindo ao Canal Futura, vi um filme com ele. Voltei no tempo. Me lembrei de quando ele morreu. Gravei o Globo Repórter para o meu pai assistir depois e, cai nas graças do magrelo elegante. Queria ser Ginger Rogers, e dançar Cheek to Cheek, como no filme O Picolino (de 1935!!!). Ter um vestidão branco daqueles, que dizem que soltava poeira e fazia o alérgico Astaire espirrar. Nossa! Não tem coisa mais linda... Até hoje, essa cena me emociona e muito. Choro até...
Acho que o cinema nunca mais vai produzir artistas como os dessa época. Pena...